Ao que parece, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada no mundo e estamos bem pacas. Ledo engano. O Brasil está mal e pelo visto continuará mal. A noção de governo e Estado dessas pessoas não alcança mais que as próximas eleições. O debate então gira em torno de pobrismo com desenvolvimentismo de estado.
Procure encontrar alguma coisa com reformas fiscais, ou política e ficará a ver navios. E porque eu acho que o Brasil vai mal? Alguns números são essenciais. Por exemplo, o país é um player muito acanhado no comércio exterior. Segundo a Organização Mundial do Comércio no ano de 2008 o Brasil possuía 1,2% de todas as exportações ocorridas no mundo e 1,1% das importações. Isso é a metade do que a Coréia do Sul, Hong Kong ou Singapura.
Qual o problema então? O problema é que o Brasil não consegue gerar riqueza. Simples assim. Falhamos miseravelmente no processo de desenvolver mecanismos para a geração de riquezas e as propostas da esquerda não avança um milímetro no que o país tem feito nos últimos 60 anos.
O primeiro e primordial entreve a geração de riqueza no Brasil é a educação. Em uma rápida comparação com a Coréia do Sul, descobrimos que o Brasil investe três vezes menos em educação. Enquanto o nosso país investe US$ 0,40 para cada habitante, o país sul-coreano investe US$ 1,26.
Nenhum país que conseguiu um alto desenvolvimento econômico o fez relegando a educação, que aqui é função de Estado, em um segundo plano. Porém quantos dos que se consideram de esquerda abordam esse assunto com a profundidade necessária? A educação para esquerda foi durante muito tempo um assunto mais para doutrinamento do que para o desenvolvimento econômico. Não é raro encontrar principalmente nas faculdades públicas, professores que são contra o uso da educação como forma de aprimorar e incentivar a geração de riqueza. Isso é burguês demais.
Outro entrave e o parco investimento em infraestrutura no país. Apesar de todo estardalhaço sempre quando faz uma apresentação do Orçamento da União que o governo Lula apelidou de PAC, a análise dos números demonstra de que todo o dinheiro que lá aparece, os gastos do governo federal não passam de 10%. Todo o resto é investimento privado ou estatal.
E esse é um ponto chave. Os de esquerda sempre afirmam que os investimentos das estatais são uma maneira que o governo possui para gerar desenvolvimento econômico para o país. Daí a “necessidade extrema” dessas empresas continuarem nas mãos do governo. Balela.
Pergunte a uma dessas pessoas qual o benefício econômico que a Petrobrás já trouxe para o dono da banca de jornal da esquina ou para o caixa na padaria e ficará sem resposta.
A verdade é que os investimentos das estatais beneficiam de forma direta as próprias estatais e mais ninguém. Costumam falar “há, mas geram empregos”. Lógico que geram. Aí é minha vez de perguntar: será que parariam de gerar empregos sendo privadas? Será que o exemplo da Vale não quer dizer nada?
Segundo, como a direção dessas empresas é pior que as privadas o governo faz aportes financeiros às estatais. O atual governo prepara um aporte na Petrobrás no valor de US$ 40 bilhões. De onde vem esse dinheiro? Do meu, do seu, do nosso imposto. E o que ganhamos com isso? Apenas o direito de continuar a comprar a gasolina nos postos.
Agora compare isso com o investimento em educação. Os gastos giram em torno de 4% do PIB, ou seja, pouco menos de oitenta bilhões de reais. Isso mesmo, o governo irá fazer um aporte, em uma empresa estatal de capital misto, um valor que equivale a metade de tudo que é gasto em educação no país durante um ano!
Não sei não, mas para mim as prioridades estão um pouco invertidas.
E porque isso? Porque a Petrobrás, esse exemplo de gerência estatal, não possui dinheiro par explorar o Pré-Sal. E por conta disso, pega dinheiro do nossos impostos para explorar o pré-sal, pagar altos salários e polpudas aposentadorias a seus funcionários e participar nos programas de propaganda do governo, patrocinando revistas e eventos. E também porque nossos falizes nacionalistas preferem que o petróleo fique no mar do que abrir o mercado (realmente) para outras empresas.
Todos ganham. Claro que o “todos” resume-se aos donos da Petrobrás e seus funcionários. Para o resto dos 99% dos brasileiros continuamos a comprar gasolina extremamente cara. Genial não é?
Em outro posto comento sobre os outros entraves ou as outras reformas essenciais para a geração de riqueza que passam distante do discurso da esquerda no Brasil.
enfim, Hugo Chaves mostrou o caminho....
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