China parte para o ataque...
- O Contra Almirante chinêsYin Zhuo afirmou que a China deveria possuir uma base naval que dê suporte às operações contra a pirataria no Golfo de Aden. Afirmou que não é o caso de uma expansão naval chinesa, apenas que a base serviria de apoio para esse tipo de operação. Sua declaração veio dias após um navio chinês e sua tripulação de 25 marinheiros ter sido resgatado das mão dos piratas somaliano. Não se sabe se houve pagamento de resgate apesar dos especialistas afirmarem que é a possibilidade mais plausível.
A Índia, que disputa a hegemonia do Golfo de Aden com a China ficou de cabelos em pé. Muito provavelmente o Contra Almirante lançou a declaração, que segundo ele é uma posição pessoal, para verificar a reação internacional. Conhecendo a China, declarações pessoais é algo que não existe.
- Uma lei chinesa causou reações no Vietnam e no Japão a respeito de ilhas que esses países reivindicam como território. De acordo com essa lei as ilhas de Spratly e Paracel seriam territórios chineses. O Vietnam protestou. A lei também engloba ilhas em disputa com o Japão e a ilha de Taiwan.
...e o Japão e a Índia reagem
- O Japão e a Índia iniciaram acordos bilaterais de cooperação em segurança. Segundo esse acordo os países irão garantira a segurança de livre passagem de navios comerciais no Oceano Indico. Japão e a Índia não são competidores porém possuem um inimigo comum que é a China
Índia muda sua doutrina militar
- A Índia decidiu reformular sua doutrina militar para prever uma guerra em dois fronts contra a China e o Paquistão. A nova doutrina prevê que em um conflito a China e o Paquistão juntariam seus esforços de guerra. Novas unidades foram estacionadas na fronteira com a China na região disputada de Aksai Chin.
Yemem a Al Qaeda
- O governo do Yemem afirmou que existem cerca de 300 membros da Al Qaeda no país. Pat Buchanan comentou que a tentativa de ataque terrorista recente demonstrou a inutilidade da Guerra no Afeganistão. Não concordo com ele. O aumento de operativos da Al Qaeda no Yemem é consequência direta das guerras no Iraque, Afeganistão, Paquistão e das operações realizadas pela Arábia Saudita. A Al Qaeda escolheu o Yemem pelo seu governo fraco e população pobre e pela proximidade com a Arábia Saudita.
Coréia do Norte e sua economia
- A Coréia do Norte continua sua desastrada tentativa de melhorar sua economia. Recentemente lançou uma lei proibindo o uso de moedas estrangeiras no país. Alguns analistas afirmam que o pacote foi uma tentativa atrapalhada de uma abertura econômica. Infelizmente os Norte Coreanos confundiram abertura econômica com uma maior centralização e estatização do sistema.
Hegemonia é uma função de x,y,z - como todos sabemos.
x - econômica
y - militar
z - cultural
Acho bom começar a estudar Mandarin e Cantonês.
Isto é bom?
Essa é outra grande questão. O império americano foi(*) bom?
(*) a conjugação do verbo no passado é uma provocação
Como diz o Caetano Veloso: "os americanos são responsáveis por boa parte da alegria e da tristeza do planeta".
P.S.: Você viu o artigo do Hélio Schwartsman na Folha de ontem. Acho que irias gostar.
Muito bom o artigo. Achei o link e também sugiro aos demais:
Potência de bananas
Cuidado, Pax, ainda não podemos afirmar que migramos da hegemonia americana para a chinesa. Em política externa, ações como as da China procurando aumentar seu poder e influência costumam gerar reações para forçar um equilíbrio. Por isso a China costuma evitar falar em hegemonia, embora sua política externa fale em "Poder Nacional Abrangente", ou seja, influência militar, econômica e cultural.
Os Estados Unidos só se tornaram a liderança mundial que são graças a alguns fatores irrepetíveis:
* Distância geográfica dos locais de conflito;
* Disputa com um país (União Soviética) cuja vitória representaria o fim de vários estados e governos;
* Concentração solitária do poder nuclear durante pelo menos dez anos (1944-1955);
* Concentração de 50% do PIB mundial por pelo menos 20 anos (1945-1965).
Não afirmei, provoquei.
Mas...
- na economia a coisa tem um rumo que parece bom para um lado e com certeza é ruim para o outro
- na militar o lado forte só se mete em encrencas, desde o Vietnã
- na cultural não tem jeito, ainda usaremos jeans, assistiremos filmes de Hollywood e comeremos McDonalds por muito tempo.
O problema militar dos Estados Unidos é que eles não metem em guerra pelo interesse nacional, mas por questões morais - a democracia, o combate ao comunismo ou ao terrorismo. Questões morais não permitem empate, só a vitória e a derrota total.
O Vietnã foi a estupidez do século. Baseados em relatórios delirantes que apontavam a Indochina francesa como estratégica para a expansão do comunismo, sucessivos governos americanos sustentaram uma guerra cara e inútil, que terminou em derrota.
O Afeganistão vai no mesmo rumo. Os americanos tentam construir uma democracia sem legitimidade suficiente no país, sob o pretexto de que estão combatendo o comunismo. Enquanto isso, a Al Qaida se estabelece no Iemen. Para a Al Qaida, o necessário é apenas uma região sem Estado para fiscalizá-los, e gente insatisfeita para recrutar.
Não esqueça do Iraque.
E, então, você está concordando ou discordando com a ameaça à hegemonia americana?
Concordo que a hegemonia americana está em cheque. Mas tento a pensar como Joseph Nye, segundo quem está havendo uma mudança geral em termos de governança internacional, com atores não estatais - incluindo fundos de investimento, ONGs e redes terroristas, cada um a seu modo - ganhando destaque e poder em relação aos atores estatais.
Nye também lembra que estados não são como organismos. Eles não nascem, crescem e morrem necessariamente. A queda do Império Romano, por exemplo, demorou 5 séculos, e até o século passado havia algum estado que se reivindicava seu herdeiro.
Com um ímpeto desses norteando China, Japão, Índia e logo, logo Coréia do Sul e EUA, aquecimento global vai sumir das pautas.
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