Não minha senhora, ninguém é obrigado a saber quem foi Urias.
Ou entender de futebol. Aliás, aqui entre nós, entender mesmo ninguém entende.
Pode-se no máximo admitir que alguns conhecem melhor as coisas e gentes do mundo da bola. Mas, a senhora deve saber, ao menos de ouvir dizer, que no peito dos desatinados dessa gente estranha que gosta de futebol, existe uma espécie de paixão que não ousa dizer o nome - pois paixão ninguém explica, sente – e que é atemporal. É essa vibração d’alma que nos faz lembrar com saudades de coisas que os olhos não viram, e isso basta. O resto o coração completa.
No caso em questão, saudades de um espantoso e inacreditável acontecimento. Estamos em 1958. Em São Paulo, capital. A cidade ainda não é um pesadelo urbano. Tem dois milhões de habitantes e a vida segue sem grandes problemas. Ainda é possível fazer um pic nic familiar ( com toalha quadriculada e tudo, igual ao se via nos filmes da Metro ) nos gramados de parques que, no futuro, seriam cruelmente ladeados e cortados pelo horror dos horrores, o Minhocão.
Diz a lenda que o prefeito de New York, Fiorello La Guardia, sobrevoando a cidade, olhou para o bairro da Lapa, fervilhando de pequenas fábricas, todas circundando, invejosas, as poderosas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, e seu o famoso brasão gravado nos pesados portões de ferro : IRFM, que o povo, há! sempre o povo, batizou de Io Róubando Fáçio Milhones...Enfim, o prefeito olhando a Lapa industrial disse : Qui se lavora ! E no que o avião virou um pouquinho para a direita e começou a sobrevoar o Pacaembu, exclamou – E qui se mangia ! . ( a senhora desculpe a tradução caseira desse imortal diálogo, o caso é que não estudei no Colégio Dante Alighieri onde o italiano era obrigatório, mas acho que bastou para a senhora compreender o Aqui se trabalha ! E o aqui se come ! do prefeito ítalo americano . )
De volta a nossa história . No então elegante e exclusivo bairro do Pacaembu, no meio do bairro tinha mais do que uma pedra, tinha um estádio. Enorme. O Estádio Municipal do Pacaembu. Para 40 mil pessoas. Mais ou menos o número de patrícios que cabiam no Coliseu Romano.
Calma, minha senhora, bem sei de sua forte religiosidade. Em vez de...( feche os olhos, quando puder abrir de novo eu aviso ) ...tigres e leões destroçando cristãos na arena, crianças inclusive, ( pode abrir ! ) um belo gramado e uma bola rolando de pé em pé. Bonito, né? Ás vezes o goleiro pega com as mãos, mas essa entidade, o goleiro, de tão estranho que é diz-se, não sem razão, que aonde ele pisa a grama é mais rala, e é, acredite. Se a senhora imaginar o futebol brasileiro de então como uma frondosa árvore, naquele gramado se podia ver seus mais belos e dourados frutos. Entre eles um adolescente de 17 anos. Um garoto. Que se espantou quando Urias, um jogador honrado por vestir a camisa verde do Palmeiras, fez um gol. Ora, pensou o garoto. Não há de ser nada. Afinal o Santos tem um time mais forte que o Palmeiras. Fato esse reconhecido pela Gazeta Esportiva, a bíblia do futebol, e até mesmo pelo circunspecto Estadão, lá nas páginas de trás, longe dos severos editorias da segunda página que faziam tremer Adhemar de Barros, o político do rouba mas faz. ( sim senhora, a coisa vem de longe, concordo )
Mesmo nos botecos da Mooca, outro lugar do qui se lavora, adoçados com fotos do Palestra Itália bem ao lado da sacrossanta imagem da Madonna Sistina, ambos a abençoar pilhas de garrafas da Cerveja Antártica - e torcedores de mãos calosas com imaculados lenços de cambraia branca enxugando o suor honesto da testa larga dos homens de bem, - todos eles ouvindo pelo rádio que seu time estava ganhando o jogo por 1 a 0, - sabia-se que o favorito do jogo era o Santos.
Como, senhora? Ah, sim, é claro. Palestra Itália era o antigo nome do Palmeiras. (Ao lado do Parque Antártica, nome do campo do Palmeiras, existia um grande depósito da Cerveja Antártica, percebes ? )
Quando o garoto voltava para o meio do campo para reiniciar a partida – e mudar os rumos dela - os relógios Omega Constellation dos comentaristas de rádio mais abonados marcavam 18 minutos de jogo. Pois bem, exatamente 3 minutos depois o garoto fez um gol. Um gol de Pelé. Sim senhora, esse era o nome do garoto, Pelé. 1 a 1. Jogo empatado.
Mais 4 minutos e Pagão, um centro avante pálido e sofisticadamente habilidoso aumentou a vantagem do Santos. 2 a 1. O Pacaembu, um imenso mar verde, calou. Raros, como pequenos e frágeis animais em extinção da floresta tropical, ,torcedores do Santos, a maioria ( ou minoria ) vindos da cidade praiana, gritaram gol. Só eles escutaram. Uma jangada de santistas perdida no meio de um verde mar....
“ ...aos 25 minutos do primeiro tempo e o Santos abre vantagem....” - acredite senhora,, antes mesmo que o locutor terminasse a frase, Nardo, aos 26 minutos, explode as redes do Santos, empatando outra vez a partida e fazendo o Pacaembu enlouquecer. ( Nardo treinava cabeçadas fazendo das portas fechadas de garagens seu alvo, seu gol. . Comentava-se que uma cabeçada dele era capaz de vergar uma dessas portas por mais sólida que fosse....).
O ataque do Santos era formado por Dorval, Pagão, Pelé e Pepe. Muitos consideram esse o melhor ataque de um time que foi considerado um dos maiores do mundo durante algumas décadas.
A senhora com certeza a.d.o.r.a Chico Buarque, certo? Pois Chico Buarque a.d.o.r.a Pagão. Amor verdadeiro. De colecionar fotos antigas e colocar na mesinha da cabeceira da cama.
( Arthur Dapieve contou para Riff, a meia voz, no Jobi, que uma vez foi convidado para participar das peladas no campinho de futebol society da casa do Chico aonde viu, sem querer, o compositor em frente o espelho do quarto passando talco no rosto para ficar tão pálido como Pagão. Providência inútil, completou Arthur agora quase sussurrando no ouvido de Riff, pois com o calor da partida o suor de Chico ia desfazendo aquela brancura artificial, criando um cenário da cena final de Morte em Veneza. Assim como o Professor Aschenbach admirando a beleza de Tadzio sem poder tocar ou ao menos se parecer com aquele sonho, Chico, cada vez mais vermelho e menos branco, também tocava a bola de maneira inteiramente tosca e diferente, que os simples e aristocráticos toques mortais de Pagão)
Pois bem, Dorval, aos 32, Pepe, aos 38, e Pagão, aos 46, fizeram respectivamente, 3 a 2, - 4 a 2, e - 5 a 2. Um massacre. Um primeiro tempo de 7 gols, Fantástico! .
Como, senhora? Sim o jogo tem dois tempos. Esse foi só o primeiro.
Teve palmeirense que deixou o estádio. Poucos. Provavelmente os que tinham problemas no coração, ou fortes tendências a depressão, quem poderá saber? Mas a grande massa permaneceu firme. ( católicos acreditam em milagres, senhora, e na época o Palmeiras era o time com forte influência dos descendentes de italianos, ou seja, quase todo mundo na época )
Um jornalista da Gazeta Esportiva,( na época os jornalistas eram mais pobres do que hoje ) rondava, faminto, os vestiários em dia de clássico. Quando o jogo terminava, vencesse quem vencesse, lá estava ele, pronto para abraçar bem forte o Diretor do time que ganhou e participar, inteiramente grátis, dos festivos jantares da vitória. Era ele quem, invariavelmente, levantava o primeiro brinde - ao maior time do mundo!
Esse jornalista duro e magro escutou Lula, o técnico do Santos, dizer aos seus comandados que depois dos 15 minutos do segundo tempo iria poupar alguns jogadores, importantes para os próximos jogos, e dar chance aos novos de irem se acostumando a jogar no time principal. A vitória era certa nos vestiários santistas. O jornalista duro salivou. Ia ser um jantar e tanto, já que seu time do coração do momento estava dando de goleada. Deu vários tapinhas amistosos no ombro do Diretor dizendo -Vai ser de 10 Comandante, vai ser de 10, - fazendo o outro abrir mais ainda o sorriso vitorioso.
Satisfeito, mas ainda faminto, resolveu dar uma passada no vestiário do Palmeiras, só para conferir. Com fome não se brinca, pensou. Não conseguiu entrar. Mas escutou os berros inumanos de Oswaldo Brandão, o técnico do Palmeiras, seguidos da voz firme e severa de quem iria virar estátua no Parque Antártica, o respeitado e lendário jogador de defesa do Palmeiras, Valdemar Fiúme.
Quando as portas finalmente foram abertas á imprensa, o jornalista, pelo sim pelo não, resolver dar uma força para o Diretor Palmeirense, - Isso não é nada Comandante, nosso time vai virar o jogo fácil, fácil...dito isso voltou para a Tribuna da Imprensa perguntando a hora para quem tinha relógio. Quem tem fome tem pressa.
Os times voltaram a campo. A torcida do Palmeiras intuiu, Havia uma combinação de brio, talento, força e honra nos olhos de seus jogadores. Meu Deus! O time iria tentar o impossível ! Corações e mentes entraram em ebulição. Quando a bola rolou em campo, uma eletricidade súbita rompeu no estádio desfazendo as bocas torcidas de dor, amor, e desespero, por ver o time verde esmagado em campo. A força que vinha do campo fez trincar dentes. E tornou novamente finos e firmes, decididos mesmo, os lábios que beijaram os santinhos de ouro guardando, em cima do peito, o coração aonde a esperança batia forte desafiando toda lógica.
Lula olhou o relógio. 15 minutos do segundo tempo. Mandou um reserva se aquecer. Ia substituir Pagão, sempre frágil, e que tinha acabado de ser atropelado pela fúria e fome de bola de Valdemar Fiume. Desistiu no ato. É que Pagão, ainda com a perna doendo, viu Paulinho, do Palmeiras, aos 16, fazer um gol, diminuindo a vantagem do Santos para 5 a 3.
Será? Esse pensamento cruzou o estádio inteiro incendiando a torcida. O time do Palmeiras jogava em torno de Mazola. Loiro, de camisa verde, já começava a virar um ser verde e amarelo. Com seus 19 anos era um pouquinho mais velho que Pelé. Artilheiro nato. Brio e talento.
Aos 19 fez um gol. 5 a 4. A torcida foi ao delírio.
Aos 34, Mazola fez outro, empatando o jogo. 5 a 5.
Cenas indescritíveis explodiram nas arquibancadas. Êxtases vários. Desmaios de felicidade. Lágrimas, idem. Lá embaixo, no banco, Lula, o técnico do Santos, respirou fundo. E se decidiu . Mandou o time atacar. Com tudo. E foi assim, com o time do Santos todo no campo adversário que, num contra ataque, Urias fez o milagre, tocou para o gol e virou o jogo. 6 a 5 para o Palmeiras!
Um gigantesco urro partindo do estádio fez tremer a cidade. O milagre tinha acontecido! Teve gente chorando. Se abraçando. Pelo menos duas pessoas foram levadas para o Hospital das Clínicas com o coração batendo forte demais. Por toda São Paulo pais pediam para mães acordar as crianças, para que elas participassem de um dos mais delirantes e belos momentos do futebol no planeta.
Pessoas desvairadas de tanta emoção saiam para a rua e tocavam a campainha dos vizinhos com quem nunca trocaram palavra, para dizer com voz rouca - Você viu? 6 a 5...! E se abraçavam os dois, emocionados.
Grudadas nos rádios e na mágica que vinha deles as Damas da Noite atrasaram sua ida aos nigth clubs vazios de clientes ausentes, também eles incapacitados de girar o botão desliga do rádio. Nessa noite ninguém fez Ronda, nenhum crime foi cometido por falta absoluta de vítimas e traídos ( as ) , e no dia seguinte os jornais não deram em primeira edição nenhuma cena de sangue num bar da Avenida São João.
Pelo contrário, no tradicional Salada Paulista, ali, na boca do crime, os deliciosos croquetes de carne leve e saborosa, acompanhados por um chopp com muito colarinho e pãozinho quente com manteiga da boa, esperavam em vão os clientes da nigth.
O mesmo ocorria com o Ponto Chic e seu famoso bauru, paulista é claro, um sanduba de pão francês fresquinho com quatro queijos diferentes derretidos, finas fatias de rosbife, tomates ( se colocava sal apenas no tomate )...Ha! ..o bauru do Ponto Chic, mesmo tirando esses hás! de clientes fiéis, jaziam esquecidos até mesmo pelos garçons, ouvindo atentos e sem acreditar na narração de Fiori Gligliotti na rádio Pan – Americana, mesmo que este fosse o criador de expressões eternas como - Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo,"Agüenta coração!, Crepúsculo de jogo...
Ninguém traiu ninguém nessa noite. O traidor caprichava o nó da gravata e não conseguia sair de casa A traidora fingia procurar o delicado frasco de Channel n 5 para uma última gota, direta no decote arfante, e também não conseguia sair para um encontro em certo apartamento em Higienópolis, perto da Avenida Angélica.
São Paulo parou. Assim. Simplesmente nada mais importava que não fosse o jogo.
Sim senhora. Futebol faz acontecer coisas estranhas.
Em campo o jogo seguia. Mas ninguém escutava mais nada, dentro ou fora de campo, tamanho era o barulho da torcida em glória plena. Zito, meio campo do Santos, enérgico e líder, com a autoridade de sempre, mandou o time atacar. Para ser ouvido apesar do som e da fúria dos que se acabavam nas arquibancadas, correu o campo inteiro para gritar no ouvido de cada jogador que o time tinha de atacar. Se agarrou na camisa de Pelé - Vê se faz uma das tuas, garoto!. - Solta essa a bomba, Pepe! berrou para o ponta esquerda que passava por perto.
Pepe, carinhosamente chamado de Canhão da Vila ( a senhora acertou, madame, o campo do Santos é chamado de Vila Belmiro ), recebeu um passe com açúcar e muito afeto de Pelé, o garoto genial. A bola quicou mansa, exatamente dois metros na frente de sua perna esquerda. Um passe perfeito. A bola pedia para ser chutada para dentro do gol. E Pepe soltou a bomba. O goleiro nem viu. 6 a 6. Empate! De novo! Aos 38 !
O jornalista duro e magro se descabelava pela décima vez na Tribuna,sem saber mais para qual vestiário correr. Oswaldo Brandão, técnico do Palmeiras, chutou o pau da barraca. Já não raciocinava mais. Mandou o time do para frente. Quero ganhar! Quero ganhar! gritava enlouquecido. Todo mundo estava enlouquecido. Torcida, locutores, policias civis, o homem do placar, juiz, bandeirinhas, catraqueiros, todos berravam e se desfaziam em delírios mil. Em campo os jogadores soltavam faíscas de tanta tensão. Todos atacavam. Todos queriam ganhar a qualquer custo essa partida que se prometia eterna.
Foi quando Dorval, o ponta direita do Santos, conseguiu como muito sacrifício e arte passar pelo seu marcador e, com o campo livre e a linha de fundo chegando, levantou a cabeça para ver quem estava na área. Pelé e Pagão, é claro. Cercados por um bando de camisas verdes dispostos a tudo, até mesmo morrer para impedir aquele ataque que viria, inevitável.
Seja o que Deus quiser, pensou Dorval, e centrou na direção de Pelé e Pagão.
Pagão olhou Pelé saindo da área. Entendeu tudo. Saiu também, rápido e pálido. Os defensores do Palmeiras não entenderam nada mas foram atrás deles, é claro. Deixar os dois sozinhos, mesmo fora da área, seria loucura.Então o baixinho Pepe, aquele que tinha um canhão na perna esquerda, entrou no buraco que se abriu na área e subiu de cabeça. A bola ainda bateu no braço do goleiro antes de entrar.
Santos 7 a 6! Eram passados 41 minutos. Do segundo e derradeiro tempo. Sim senhora, o garoto tinha obedecido Zito e tinha feito uma das suas. O gol de Pepe, o sétimo foi também o sétimo selo de uma noite apocalíptica.
Na cidade de Santos, á beira mar plantada, quem viu conta, as estrelas no céu endoideceram. Giravam e brilhavam tão intensamente como as estrelas de Van Gogh, loucas e lindas. A cidade inteira tremeu quando do apito final da maior partida de todos os tempos.
A alegria única, que se repete apenas de 200 em 200 anos, jorrou, inundando tudo, desde o Boqueirão até São Vicente e Guarujá, provocando marolas tão fortes que surpreenderam navios, capitães e contrabandistas, apanhados em meio a um ilícito penal, em pleno porto.
O jornalista faminto voou para o vestiário do Santos. Viu Pelé, o garoto, debaixo do chuveiro frio, de uniforme e chuteiras, tentando apagar o fogo da luta titânica dentro de seu jovem coração. Se lágrimas houveram, estas escorreram invisíveis, junto com a água. Um outro com fome, este do Estadão, contou depois, que no vestiário do Palmeiras reinava a paz. Grave, sem risos, mas também sem lágrimas, aquelas que acompanham as derrotas dolorosas. Existia uma certeza. O Palmeiras NÃO tinha perdido. E não tinha mesmo. O jogo, o placar, a mágica, a luta, o brio, o talento, a arte, tinham se excedido tanto que os números não contavam mais, nada significavam.
Os torcedores, roucos e loucos, deixavam o estádio em um estado que somente o grande Nelson Rodrigues poderia descrever – “ varados de luz, como um santo de vitral.” Tinham visto o Tudo.
No Morro da Casa Verde, segundo Adoniran Barbosa, a raça dormia em paz.
Em sua casa de 12 quarteirões na riquíssima Avenida Paulista o Conde também dormia em paz. O mordomo tinha balbuciado alguma coisa sobre empates seguidos quando ele perguntou o placar final do jogo. - De quanto o Palmeiras perdeu, Astolfo, perguntou o Conde Matarazzo com ligeira irritação. Quando ouviu o placar do jogo que o Palmeiras não perdeu, o Conde sorriu e voltou abotoar o pijama de seda. - Grandes tempos virão Astolfo, disse ele. - Esse placar é a anunciação de acontecimentos notáveis, entendeu? Suspirou. Não, o mordomo não tinha entendido. Era por isso que ele, o Conde, ganhava dinheiro e o Astolfo não. ( o título tinha sido comprado, senhora, vaidade de velho que tinha sido pobre, sabe? ) E assim adormeceu em paz o homem que desceu no porto de Santos com uma mão na frente e outra atrás.
Lá no céu os Deuses do Futebol se olharam espantados. ( eles são dois, minha senhora, um mais velho e o outro mais jovem.) Afinal Eles tinha decidido que o jogo acabaria com a heróica vitória do Palmeiras por 6 a 5. Repassaram mentalmente os principais lances da inacreditável partida.
Se deslumbraram com Pelé. O garoto, esse, tinha se transformado em novo deusinho do futebol, também. Como um Prometeu juvenil tinha roubado o fogo e o poder decisório - e inapelável - dos Deuses mais velhos e mudado suas Vontades, com gols, passes, e aberturas de espaços aonde não existia nenhum.
- Gabriel, falou o Deus mais velho.Assim que as estrelas se acalmarem vá até lá e escreva o nome do Brasil nelas. O senhor tem certeza? Perguntou o jovem Gabriel. O Velho trovejou: Você acha então, meu rapaz, que um jogo de 7 a 6 pode passar assim impunemente? Um tanto alterado lascou: Vai até lá e escreva assim: Brasil, Campeão Mundial de Futebol da Copa da Suécia de 1958!E não esqueça, finalizou o Velho: coloque o nome, Pelé, e escreva ao lado, Rei. Compreendeu?
E assim foi feito. Em 7 de março de 1958, naquela noite inacreditável, 3 meses antes da Copa do Mundo, foi escrito nas estrelas que o Brasil seria o Campeão.
Desse dia em diante o Brasil, ainda segundo Nelson Rodrigues, deixou para sempre o que ele chamava de complexo de vira latas. No dia seguinte á vitória, no Rio, na Avenida Rio Branco, ele só viu principes atravessando a rua
Queria ter visto esse jogo! Que texto bom, marco! Ta escrevendo para la de bom! Parabéns!
mais quelle belle patte, marcô !
viajei no futebol, adoro esse nosso !
Marco, vc tem que abrir um blog ;)
se ele abrir um blog vai escrever menos aqui, como winis...prefiro que nao abram , que concentrem as energias aqui ! PAN nao é um espaço auto-gerado ? entao, marcô ta mandando ver, tudo que posta vai logo pra home. ..é aqui o blog dele..:))
Marco,
Receba um enorme abraço de um santista emocionado.
Estou sem adjetivos definir este texto. Fiquemos no básico: excelente.
Já disse antes: você escreve bem pra danado...
E endosso o pedido da Nat: Abre um blog, cara.
Acima de quaisquer divergências ideológicas (e diria mais, exatamente por causa delas...) um blog seu seria muito importante.
Marco,
Linkei o post lá no meu blog (http://deolhonofato.blogspot.com), junto com outro tema ligado ao Santos.
Jogão Marco... de certo modo, deu para sentir a emoção da peleja. rs...
Adorei como você infiltrou no texto os detalhes como: croquete, relógio, pijama de seda, a história do Conde, Van Gogh, as Damas da Noite, o talco. É assim, que um grande jogador hipnotiza quem o vê.
:)
O Marco não viu esse jogo e nem viu muito o Pelé......
Mas é isso aí.
Quem viu aquele time , ou parte dele tem saudades.
Foi como uma luz inesperada numa longa noite de expectativas....
saudades da minha Santos e do peixão campeão.
"Agora quem dá a bola é o Santos....
Santos sempre Santos Campeão....
Glorioso Alvinegro Praiano....
Campeão Absoluto deste ano.....
Santos! Santos....Santos sempre Santo!
Dentro ou fora do alçapão
Jogue onde jogar.....
És o Leão do Mar!
Santos sempre Campeão!"
E aí eu vejo os olhos marejados de meu avó caiçara ...
Brilhando como dois sóis .....
ana, confetti, Nat, Luiz, Samoça, Romeu, poxa, eu abro o computador e acho esse carinho todo de vocês!
Mil vezes obrigado.
Estou sem palavras para retribuir tantos elogios.
E ainda por cima o Luiz me põe no blog dele...
Muita areia para minha humilde kombi...
abraços a todos...
Marco
Como Santista, de alma e coracao, li com lagrimas nos olhos.
um beijo grande.
marco,
Então troque sua kombi por uma Scania. Se continuar escrevendo assim, vai ter muita areia pra vc carregar...
Valeu pelo texto. Como um apaixonado por futebol, recebi como um presente.
Salvo as raríssimas exceções, quem sabe escrever sobre futebol está longe das editorias de esporte (ou, pelo menos, eu presumo).
Num jogo de 7 a 6, há que se saber os nomes do goleiros. Confirmando a fama de maldito, até o do time ganhador periga sentir um travo amargo.
Não vou googlar, quem teria sido: Laércio e Oberdan?
gwyn , Darw, anrafel, obrigadíssimo. Mesmo.
Aqui vai a ficha ténica do jogo com as devidas escalações :
( um jogo como esse tinha que ter 3 goleiros...)
Local: Estádio Municipal do Pacaembu
Data: 07/03/58 - Horário: 21h00.
Árbitro: João Etzel Filho (SP)
Público: 43.068 pagantes
Renda: CR$ 1.676.995,00
Gols: Urias, aos 18, Pelé aos 21, Pagão aos 25, Nardo ao 26, Dorval aos 32, Pepe aos 38 e Pagão aos 46 minutos do primeiro tempo. Paulinho aos 16, Mazola aos 19 e 27, Urias aos 34, Pepe aos 38 e 41 minutos do segundo tempo.
Escalações:
Santos: Manga; Hélvio e Dalmo; Fioti, Ramiro (Urubatão) e Zito; Dorval, Jair, Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe. - Técnico: Lula.
Palmeiras: Edgar (Vitor), Edson e Dema; Waldemar Carabina, Valdemar Fiúme e Formiga (Maurinho); Paulinho, Nardo (Caraballo), Mazzolla, Ivan e Urias. - Técnico: Oswaldo Brandão.
O ficha de todos os jogos do peixe é um amigo meu , que é oficial de justiça aposentado.....sabe-se lá como esse direitão consegiu tantos dados do peixe......seu lado bom deve ter prevalecido!
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