Governo prepara trem da alegria para concessões elétricas

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Deu na Folha de São Paulo hoje (mais para assinantes aqui)

O governo decidiu renovar as concessões do setor elétrico que vencem entre 2015 e 2020, mas sob novas condições e com o foco na redução de tarifas para os consumidores. Uma minuta de medida provisória que regulamenta a decisão está em fase de finalização. Parte da equipe que discute o tema defende que seja editada e enviada ao Congresso o mais breve possível.
Com essa decisão, o governo descartou a possibilidade de tomar as concessões para fazer novo leilão. (...)
Parte do grupo de trabalho sobre o tema, liderado pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, defende que a atual situação de indefinição prejudica demais o setor.
Um dos argumentos é que o impasse está travando operações de fusões e aquisições.

Um dos argumentos pró privatização e pró novo modelo elétrico é que ele permite a maior concorrência. Na prática, o que o governo está fazendo é congelar a concentração de mercado atual, fortalecendo os monopólios locais.

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Ano de eleições... e quem tem maior interesse no setor? Talvez seja um dos caminhos para discutir o assunto. Algo do tipo: "eu apóio, ok, dou palanque, mas naquele setor gostaria que você me desse, em contrapartida, uma ajudazinha..."

Mas, cuidado, a Folha deve ser lida com um quê de crítica, assim como todos os grandes veículos. Tipo de notícia importante que merece vermos com as justificativas dos dois lados. E uma discussão ad nauseam. Quando entra na pauta da sociedade, quando todo mundo entra na discussão, a possibilidade de reduzir os interesses esquisitos é maior. Assim acredito.

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De qualquer maneira, a decisão está em linha com os pedidos do setor há mais de um ano. E ajuda o Serra, porque renova as concessões da Cesp. O governo estadual não conseguiu privatizá-la porque o mercado não quis correr o risco de perder as usinas cinco anos depois de comprá-las.

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Paulo,

Você está trazendo informações que não tenho. Se puder ser mais didático/informativo acho que existe a chance de todos entenderem melhor os pontos que você está colocando.

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Atendendo ao pedido do Pax, vou tentar ser didático:

  • Quando o governo federal decidiu privatizar o setor elétrico, precisava dar uma organização jurídica para a questão das concessões. Por isso, em fevereiro de 1995 criaram a lei de concessões. Entre outras regras, estabeleceu que uma concessão de serviço públçico tem prazo certo para acabar.
  • No caso das concessões elétricas, este prazo é 2015. Todas as empresas do setor assinaram contratos de concessão com o poder concedente, no caso a União, estabelecendo as regras de operação como tarifas etc.
  • A medida em que 2015 foi chegando, ficou claro que não havia previsão legal de como seriam renovadas as concessões em 2015. O primeiro sinal de alerta foi na tentativa de privatização da Cesp, em 2008, quando não apareceram compradores interessados.
  • Desde então o setor vem reivindicando a renovação automática das concessões, alegando dificuldades de investimentos.
Espero ter sido claro.

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Paulo,

Agora ficou bem mais posicionado o ponto. Obrigado.

Me permitindo um paralelo, acabo de ler um artigo que também envolve eleições, responsabilidade fiscal, estabilidade econômica etc, que merece ser lido, no meu entender.

E acho que dá para fazer um link com o assunto do teu tópico. Ou seja, eleições, sim, mas cuidado com o futuro para não vendermos até a mãe, ou nossos filhos, ou, no fundo, o futuro do Brasil.

Aqui, no Estadão: Lições da Grécia moderna - do Dionísio Dias Carneiro, que desconhecia até então. Dois trechos que destaco deste artigo:

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Nos tempos modernos, o poder dos governantes, ditadores ou não, costuma ser limitado pelo que os economistas denominam "restrição intertemporal das contas públicas". Isso significa que governos podem exercer seu poder de gasto até o ponto em que são barrados pela capacidade de arrecadar impostos ou de se endividarem.

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Crescer pela expansão do gasto público, financiamento externo barato e onda de otimismo é a receita dominante da agenda política brasileira das eleições de 2010. O otimismo com o Brasil deriva da vitória contra a inflação e o déficit crescente, que transformou o real em moeda confiável, sem que uma agenda externa, como a entrada no euro, tenha sido necessária, como na Grécia. Candidatos e seus economistas devem refletir sobre a moderna tragédia grega, que ilustra os limites práticos a políticas fiscais baseadas em apostas na continuidade do financiamento barato para o endividamento público e privado e na postergação de reformas impopulares.

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O Senador Delcídio saudou a medida provisória pelo Twitter. Ele que foi ministro das Minas e Energia do governo Itamar.

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Vamos lá: Eu já acho que as privatizações, da forma que estão hoje, principalmente com as atuações políticas das Agências Regulatórias, são temerárias e precisariam de uma revisão.

Coloco só os motivos para essa minha opinião com algumas perguntas:

  1. Hoje temos os melhores serviços e com preços razoáveis?
  2. Hoje estimulamos a livre concorrência que vai ao encontro da pergunta acima?
  3. Acreditamos que não existe um mar de corrupção envolvendo esses setores (só para lembrar: ANATEL (BrOi, Br Telecom etc), ANAC (privatizações e obras nos principais aeroportos das principais cidades), para não fugir do teu post, ANEEL etc etc?
  4. Essas agências hoje são exemplares, sem terem se tornado enormes cabides de emprego?
  5. Quem anda por trás do setor elétrico? A gente conhece bem os nomes. Você acha que fazem o melhor para o país?
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Cadê o Pablo Villanorvo numa hora dessas?

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Paulo,

Parece que estava adivinhando, não? Veja o comentário #5, feito na sexta.

"Acreditamos que não existe um mar de corrupção envolvendo esses setores (só para lembrar: ANATEL (BrOi, Br Telecom etc), ANAC (privatizações e obras nos principais aeroportos das principais cidades), para não fugir do teu post, ANEEL etc etc?

E agora veja a manchete do Estadão, a que está no site agora, domingo de manhã.

Obras de aeroportos foram superfaturadas em quase R$ 1 bi, diz PF
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Pois é, estes episódios mostram quanto temos que avançar para existirem relações positivas entre governo e iniciativa privada.

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