Telefonia Celular no Brasil

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Temos a 2a maior tarifa mundial. E um péssimo serviço.

Um assunto interessante. Quando pensamos onde e como os governos devem atuar, entra a questao da regulação. As agências regularórias (ANAs - Anatel, Aneel, Anac etc) não deveriam estimular a livre concorrência e defender os interesses dos usuários, o povo brasileiro?

Fazem isso ou viraram cabides políticos de emprego? Se a discussão é sobre o tamanho do estado, onde e como deve atuar, aqui há uma boa discussão. O cheiro atual não é o melhor perfume.

Some o assunto acima com a visão do Pedro Doria sobre o futuro da internet.

 

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 as agencias foram mesmo sucateadas mas, como lembra a materia, o problema maior sao os impostos.

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O setor elétrico já mostrou que a fórmula de cálculo das tarifas está defasada, e reflete um outro momento de preços e custos. E a telefonia? quando haverá revisão da metodologia de cálculo?

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Afinal de contas, as Agências defendem quem?

O mercado (especialmente nós, os usuários) ou as empresas prestadoras?

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A Anatel mais do que provou que defende as teles e não o consumidor...

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Uma boa notícia: Serra chamou Eletropaulo na ximcha.

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O eleitorado chamou o Serra na chincha...

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O Serra detesta os controladores da Eletropaulo. Eles cortaram a luz da prefeitura de SP assim que ele assumiu.

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Um ótimo texto do Virgilio Freire (via VOM), conta, com o olhar de um insider, o histórico da Telebrás.

Para quem não quiser ler inteiro, o resumo é esse. Até 74, se investia na telefonia. A Telebrás construiu algo fantástico.

[E]ntre 1964 e 1974, nestes vinte anos a Telebrás teve grande autonomia de ação, pois os generais e militares que governavam o Brasil viam as Telecomunicações como um Setor Estratégico para o Desenvolvimento e a Defesa.

e:

Os militares criaram um fundo para que o sistema de telecomunicações pudesse se expandir, e se manter financeiramente robusto. Era uma taxa, cobrada em todas as contas telefônicas, chamada FNT, ou Fundo Nacional de Telecomunicações. Por lei, este dinheiro, que era de Bilhões de dólares, deveria TODO ser aplicado na expansão, ampliação, manutenção e operação das Telecomunicações do Brasil.

Estes recursos foram aplicados de forma ética e profissional por um grupo de jovens profissionais vindos da universidade na década de 60, e orientados por engenheiros militares – homens sem quaisquer orientação ideológica mesmo naquela época da Guerra Fria – engenheiros, acima de tudo, gente com pós graduação na França, nos Estados Unidos, etc. Entre os anos de 1968 e 1978 o Brasil passou de apenas 3 ligações de micro ondas, para uma rede de torres com alturas de até 100 metros , cobrindo desde Manaus até Porto Alegre, de Corumbá a Natal. Dezenas de milhares de quilômetros de microondas, interligando o país. Implantou-se a Discagem Direta a Distancia, que hoje é considerada corriqueira, mas antes da Telebrás para se falar com outra cidade tinha de ser através da telefonista.

Mas o pensamento contra-investimento-do-Estado (n.....) dos anos 80 começou a desconstruir a Telebrás, bem antes da privatização:

 

O Brasil havia contraído pesadas dívidas com bancos estrangeiros, e havia uma enorme pressão do Governo Americano, do FMI, do Banco Mundial, para que esta dívida fosse paga dentro do prazo. (....) Delfim, então criou um “Fundão”. (...)

Delfim determinou que os recursos de todos os Fundos setoriais, como era o caso do Fundo de Telecomunicações, fossem diretamente depositados no Fundão, e que não fossem mais aplicados nos setores respectivos. Então, a partir da década de 1980, a Telebrás foi forçada a renunciar aos enormes recursos do FNT, e colocá-los no Fundão. Mas a coisa fica ainda pior. Delfim criou um organismo chamado Secretaria de Controle das Estatais (SEST). A função desta Secretaria era administrar as estatais. Literalmente.

(...)

Então, a SEST analisava os planos da Telebrás apenas do ponto econômico, e ainda assim com a estreita visão de verificar o quanto a Telebrás poderia contribuir para a redução da Divida Externa – não comprando equipamentos importados, não gastando em pessoal, etc. O nível de controle central e de opressão da Telebrás pela SEST chegava ao ponto de que qualquer reajuste de salários tinha de ser aprovado pela SEST, qualquer aumento no número de funcionários da Telebrás tinha de também ter sua aprovação, os gastos com operação, com pessoal, com equipamentos, os investimentos em novos sistemas, tudo tinha de ser aprovado pela SEST.

E, na década de 90, da conhecida privatização, sai a conhecida Telefónica:

 

No caso de São Paulo, venceu o leilão a Telefonica de España. Grandes esperanças, grandes comemorações. Mas logo uma nova realidade desabou sobre a Telesp. Chegaram os espanhóis, inicialmente colocaram um espanhol “grudado” a cada gerente brasileiro. Em seguida demitiram os brasileiros. Hoje não existe na atual Telefonica, ex-Telesp, ninguém com mais de 10 anos de casa. Toda a memória profissional da empresa foi perdida.

...que demitiu todos os funcionários que sabiam como aquilo funcionava. Que não investe um tostão:

 

Escolhe-se o vencedor, com o menor preço e a melhor proposta técnica. Normalmente o processo de compra terminaria aí, com a assinatura do contrato e implantação do sistema. Mas na Telefonica é diferente.

(...)

O processo vai para a mesa de compras, onde os executivos são remunerados em função dos descontos que conseguem. Chamam a empresa vencedora, e comunicam (sim, não negociam, comunicam) que se o vencedor não der um desconto de, por exemplo, 20%, nada feito, o contrato não será assinado.

 

...e que terceiriza tudo, do atendimento, à execução.

Uma empresa que não tem pessoal e que não investe não pode prestar um bom atendimento, certo?

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Não é a Telebrás a antiga dona do CPqD?

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Acabei de achar no site do Nassif, é sim.

Mas minhas opinões são bem diferentes do autor do post linkado, afinal para mim o CPqD parece muito mais um elefante branco do que um "instituto de pesquisa séria em uma área estratégica para qualquer país sério".

Respeito muito mais os centros de pesquisa que não dependam da mesada do governo para sobreviver, por mais que sejam muito menores (e menos famosos), pelo menos neles existe ciência de verdade.

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Sejam bem-vindos,

renyi e nicolasarrau


Bem interessante este histórico do nicolasarrau sobre a Telebrás.

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renyi,

Você acha que o Estado não deve incentivar pesquisa ou entende que no Brasil é que não funciona pelo alto grau de corrupção que temos por aqui?

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Oi Pax,

Eu acho que o estado deve incentivar a pesquisa, principalmente em campos de ciência pura (ou estratégica) onde não há muito interesse de mercado. Telecom não é esse caso.

E toda pesquisa deve ser econômicamente viável, sustentável mesmo quando ela é incentivada pelo estado.

Existe um ciclo virtuoso que deveria ser seguido:

A pesquisa de base deve se transformar em patentes e produtos para abastecer o mercado, o que gera capital, que deve ser reinvestido em pesquisa de base para novamente ser aplicada.

Por mais que a ignição seja (ou tenha sido) dada pelo estado, esse é um sistema auto-sustentável.

A corrupção é um atrito nesse sistema (i.e. a longo prazo o inviabiliza), mas o problema é que falta a consciencia de que esse ciclo é necessário na cabeça das pessoas (pesquisadores universitários inclusos).

Felizmente algumas instituições de pesquisa e universidade brasileiras tem tomado a consciência de que uma conversa melhor com o mercado é necessária. Mas o fantasma do mundo maniqueísta da guerra fria (direita, esquerda; capitalismo, comunismo; ditatura, resistência; etc, etc) ainda assombra.

 

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renyi,

Entendo teu ponto, mas acho que ele não abrange tudo o que se refere à pesquisa, principalmente as puras.

Você acha que o Estado deve patrocinar, e eu concordo, mas entende que toda pesquisa deve ser economicamente viável e sustentável... bem, aqui acho que, mesmo sem ser da área e sem entender muito do assunto, nem sempre é possível. Vou dar um exemplo de um amigo. Ele trabalha com física nuclear, com pesquisa. Já me falou que tem horas que aparecem dramas, pois não sabem onde vão chegar. E os caras trabalham para caramba, em aceleradores nucleares. Aqui e viajam bastante. Em alguns lugares para fazer mais pesquisas, e em outros que analisam os resultados empíricos. Muitas vezes sem um propósito econômico.

Esse tipo de pesquisa, como poderá ser economicamente viável e sustentável? Aqui, caro, acho que o Estado vai meter a mão a fundo perdido mesmo. E acho que está certo, afinal.

Enfim, é um detalhe, não uma discordância, só neste ponto que não fiquei muito confortável e opino sem entender do riscado.

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Pelo contrário Pax, eu acredito que isso se aplica especialmente as ciências puras.

A física que seu amigo trabalha por exemplo, existe ciência mais aplicada que a física? O que são todas as engenharias se não física?

Brincadeiras a parte, existem definitivamente tópicos que são abstratos, especialmente em Matemática ou Física. Mas são as teorias dessas áreas mais abstratas de hoje os tópicos quentes da ciência aplicada daqui vinte (ou menos) anos. E muito provavelmente se esse pessoal buscasse um propósito econômico esse processo seria mais rápido ainda!

E mesmo lento esse processo é sustentável, a diferença é que um ciclo desses dura quinze anos e não dois.

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Olá, renyi.

Concordo com a questão que o Pax levantou. Nem todo tipo de pesquisa, especialmente a mais básica (aquela que tem por finalidade o conhecer por conhecer), tem como se sustentar sozinha economicamente.

Mas o restante dos seus posicionamentos é válido.

Apenas gostaria de ressaltar que, mais do que consciência da importância da interação com o mercado, falta a boa parte dos nossos pesquisadores universitários aptidão gerencial para tocar os projetos. Era muito pior, uns 15 ou 20 anos atrás, mas ainda é um problema real.

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Luiz, em momento algum eu falei que a pesquisa se sustenta sozinha economicamente.

Existe toda um cadeia por trás, para sustentar o processo.

E concordo contigo que a aptidão gerencial deveria ser levada em conta na escolha dos gerentes dos projetos de pesquisa em nossas universidades. Não só nos projetos, mas as reitorias em muito se beneficiariam de melhores reitores.

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renyi - Concordo inteiramente contigo e tenho dois cases para apresentar. Um primeiro se passa no Brasil onde um pesquisados da UFRJ (se não me engano) criou uma fórmula muito mais barata do luminol que é o produto que os policiais utilizam para encontrar vestígios de sangue. Pois bem, o sujeito tinha fórmula mas não conseguia encontrar ninguém para enviar.

O segundo case é a história do Gatorade. Existe um famoso time de futebol americano chamado Flórida Gators. O departamento de educação física encomendou ao departamento de fisiologia uma bebida energética para a reposição dos sais minerais perdidos durante as partidas. O departamento de fisiologia criou a bebida e o time começou a ser chamado de "second half wonder" pois enquanto seus adversários estavam desgastados o time do Flórida Gators estava inteirinho. Ganhava grande parte dos jogos no segundo tempo. Vendo as possibilidades econômicas o médico vendeu a fórmula e depois de um acordo judicial a universidade desde 1973 recebe royaltes pela venda do Gatorade, se tornando uma grande fonte de renda.

Isso não acontece no Brasil como no caso do nosso pesquisador pelas cabeças jurássicas de muitos dos que comandam as universidades, principalmente as públicas, no Brasil. Para eles uma universidade que cria um produto que é "comerciável" seria o fim da picada. Tipo "como assim? Nos vender para o Mercado, ao Capitalismo?".

É assim que essa gente pensa, é assim que a cabeça deles funciona. Vi isso com meus próprios olhos na UFRJ quando tentávamos buscar patrocínios de empresas. Se não fosse empresa estatal, não conseguíamos nada.

 

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Metende minha colherinha...

Um grade amigo defende, final do mes, mestrado aqui na UFSC. O laboratório dele trabalha com diferentes seguimentos e em grande parte há pesquisas com célula tronco. A dele é em arco de aorta(a artéria) de ratos. A de outro pesquisador é a pesquisa de células tronco no bulbo de pelos. Uma empresa que está injetando dinheiro, e muito, na pesquisa é a Natura. Qual a ligação? Uma possibilidade é a de um produto que elimine de vez a necessidade de uma constante depilação e que aja diretamente no bulbo do pelo. Como chegar até isto me foi explicado em uma mesa de bar e passa por um maior conhecimento de como funciona a diferenciação celular etc, etc...

Outro amigo faz doutorado em biotecnologia e lida com leveduras. Sacaromice, se não me engano...dinheiro de rodo no laboratorio deles também. Empresas privadas pondo dinheiro na pesquisa e utilizando do espaço e de professores publicos. Não vejo problema algum, desde que as pesquisas não sejam norteadas somente por esta facilidade e que os resultados fiquem abertos, como aconteceu com um pofessor meu que desenvolveu um método de padronização envolvendo estas leveduras e que hoje esta aberto para o uso de qualquer empresa ou pesquisador. Ele poderia ter patenteado em conjunto com a universidade e abriu mão.

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Interessante esta informação que a Natura investe em pesquisa com células tronco. Será que usa células tronco embrionárias? Se usar, teremos um ponto de divergência entre Marina Silva e seu vice, Guilherme Leal, acionista da Natura.

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Boa sacada Paulo. Mas uma das jogadas deles é justamente não utilizar célula embrionária humana. Meu colega (a grosso modo) conseguiu por meio de certos sinalizadores fazer uma célula de artéria regredir a fases anteriores de diferenciação.

A princípio, então, poderiamos pegar uma célula diferenciada e reverte-la até a 'tronco' indiferenciada...

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Uma boa forma de evitar polêmicas sobre a pesquisa.

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O assunto descambou para pesquisa e ficou melhor a emenda que o soneto. Bons exemplos esses, El Torero.

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Voltando ao assunto inicial, sobre Telefonia Celular...

Entrevista do Virgílio Freire para o IDEC:

Idec: Falando em telefonia fixa. Por que as chamadas empresas espelho não funcionaram no Brasil?
VF: Uma que funcionou e está de parabéns é a GVT, que foi cautelosa desde o início, pois começou sem tentar concorrer. Ela começou sem terceirizar o contato com o assinante, tentando cativar o cliente, foi crescendo devagar e melhorando o serviço. A Vésper tinha um pecado original - seus donos eram a Bell Canada, do Canadá, a Qualcomm, dos EUA, a VeloCom, dos EUA, e a Vicunha, do Brasil. A Bell Canada tinha uma participação grande na Vesper, mas era dona também da Nortel, e obrigava a Vésper a comprar equipamentos da Nortel. E ai do presidente que quisesse fazer o contrário. A Qualcomm, sediada na Califórnia, é a detentora das patentes de CDMA, um tipo de telefonia celular digital, e obrigava a Vésper a adotar o CDMA. A VeloCom era uma empresa do Colorado, cujos donos queriam ficar ricos logo, por isso não deixavam a empresa trabalhar como a GVT, gradualmente. Dentro disso, o projeto financeiro da Vésper era concorrer pau a pau com a Telefônica. Quando eu assumi a presidência da Vésper, desde sua criação, me disseram "ó cara, você tem 4,6 bilhões de dólares para investir e concorrer com a Telefônica". E por que não deu certo? Nós chegamos no ano 2000 com 800 torres em 19 estados, 4.000 funcionários e R$ 4,6 bilhões para gastar. Só que aí o Carlos Slim [empresário mexicano], hoje dono da Embratel e da Telmex, combinou com a Bell Canada que ia comprar tudo o que ela tinha na América Latina. Só que quando a Bell Canada anunciou aos outros sócios que estava vendendo suas propriedades para a Telmex e para Carlos Slim, inclusive a Vésper e a Claro, a VeloCom mandou uma carta preparada por um advogado dizendo que estava proibido que um mexicano entrasse na Vésper para fazer o levantamento ou avaliar a empresa, pois ele era acionista e tinha o direito de comprar. A Bell Canada deu um prazo até abril de 2001. A VeloCom tentou desesperadamente conseguir um parceiro para comprar essa parte. O triste da história é que a VeloCom, ansiosa por ficar rica, impediu que o Carlos Slim, que tinha dinheiro a beça para investir, entrasse. Quando chegou em fevereiro ela disse que não conseguiu. E aí aconteceu algo dramático na Vésper. A Bell Canada retirou-se da Vésper. Então, presidentes da Vésper chegaram para mim em 2001 e disseram: "sabe aqueles R$4,6 bilhões que você tinha pra investir? A Bell Canada saiu e agora você tem apenas R$ 2 bilhões". Então, eu fiz as contas do que dava para fazer com esse valor e vi que teria que demitir metade da empresa. Além disso, devido à redução dos investimentos, os acionistas fizeram uma reunião por telefone comigo e disseram que não tinham dinheiro para fazer as instalações em todas as cidades que tinham prometido à Anatel. "Por causa dessa falta de dinheiro, queremos que você vá a Anatel e convença o Renato Guerreiro [então presidente da Agência] a não exigir que nós façamos essas instalações". Esse pedido era extremamente antiético e eu expliquei isso aos acionistas, mas não fui ouvido. Além disso, há um contrato assinado com a Anatel e com o governo e eu sou o responsável legal pela empresa. Se eu não cumprisse esse contrato, caso o Guerreiro aceitasse, nós teríamos a Procuradoria Pública, que é um órgão independente, ou seja, não responde nem ao governo nem ao judiciário. Eu me senti desconfortável e preferi me afastar da empresa, que foi posteriormente vendida à Embratel. Para coroar essa história, queria dizer que a Vésper não cumpriu o contrato, e a Anatel, sob a presidência do Renato Guerreiro, jamais investigou isso. E ficou elas por elas, o dito pelo não dito, virou pizza. O que mostra que desde o governo FHC a Anatel é omissa, inexistente e incompetente.

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