Chile dá guinada à direita

0

Após vinte anos de hegemonia do grupo de centro esquerda Concertación, o Chile se volta à direita. Mais do que apontar uma tendência regional, os resultados da eleição que conduz Sebastião Piñera ao poder refletem processos políticos internos ao próprio Chile:

  • O descontentamento à esquerda da Concertacción. Diferente da coalizão política que levou o socialista Salvador Allende ao poder em 1971, a Concertacción conduziu governos de orientação moderada e centrista, sem radicalismos. Com isto, setores sociais organizados começaram a manifestar desconcentamento com problemas como desemprego. Em princípio limitado ao Partido Comunista, fora da Concertacción, este descontentamento atingiu o próprio Partido Socialista de Michelle Bachelet, que lançou a candidatura dissidente de Marco-Enrique Ominami. Derrotado no primeiro turno, Ominami promete lançar um novo partido no Chile, à esquerda da Concertacción.
  • A direita se reinventou. Até as eleições para presidência da República de 1999, a direita se fazia representar pela União Democrata Independente, formada por antigos membros do governo Pinochet. Em 2005, Sebastião Piñera lançou-se pela primeira vez como candidato, apresentando uma plataforma pela direita, mas sem se atrelar à herança de Pinochet. Seu partido, Renovacción Nacional, acabou assumindo a liderança da direita chilena, atraindo os outros grupos à sua liderança.

No contexto regional, a eleição de Piñera tende a contrabalançar o equilíbrio regional, em favor de lideranças de perfil moderado. Na relação bilateral com o Brasil, o efeito deverá ser mínimo.

0

Um ponto de atenção: como ficará a relação bilateral Chile-Bolívia, que permanece rompida há mais de 100 anos?

0

Bom dia a todos.

Paulo, a Bolívia continuará a NÃO ver navios...

Sério, agora: o efeito nas relações com o Brasil será mínimo, mas um bocado de gente aqui vai fazer festa pela vitória da direita chilena e tentará transpor o acontecido para a realidade da nossa campanha eleitoral.

Mas as realidades são completamente diferentes...

0

Não sei. É mais fácil governos de orientações ideológicas totalmente contrárias sentarem-se e conversarem. A história tem vários exemplos: Bismark e Disraeli, Nixon e Mao Tsé Tung, Reagen e Gorbarchev, Kohl e Honecker, Lula e Bush...

0

Acho que eu não fui claro, Paulo.

Tenho quase certeza que as relações bilaterais serão boas, quase no mesmo nível atual.

Quando falei em realidades diferentes quis me referir às realidades políticas internas, com tudo que isso abrange, inclusive demografia, condições sociais, etc.

0

Acho que eu não fui claro. Estava me referindo às relações entre Chile e Bolívia. Chile e Brasil eu também não espero mudanças substanciais.

0

Concordo Luiz, até porque no Brasil são dois partidos de esquerda claramente.

0

Outra diferença, Pablo: o que foi derrotado no Chile não foi um partido de esquerda.
Foi uma coalizão entre um partido de esquerda (Socialista) e um de centro (Democracia-Cristã). E o candidato era do partido de centro.

0

Ou seja, esta eleição no Chile significa uma inflexão, maior ou menor, à direita. A esquerda saiu derrotada no primeiro turno.

0

Não sei, Paulo.

No primeiro turno, a soma dos candidatos que estão ideologicamente à esquerda do Piñera (55,75%)foi maior que a votação dele (44,23%).

O que decidiu o 2º turno foi a migraçao de cerca de 1/3 do eleitorado do independente Ominami (e dissidente socialista) para o Piñera.

0

Esta migração Ominami-Piñera significa que estes votos são de descontentes com a Concertacción, não de esquerdistas.

Lembra a famosa combinação de votos Lula presidente Maluf governador, muito comum nos anos 1990.

0

Dois partidos de esquerda? Cadê o outro?

0

PSDB? Quando muito centro-esquerda...

0

Precisa forçar bem a barra para concordar com isso.

0

E fora o blá blá blá, o que o PT tem de diferente do PSDB??

Em termos de ações efetivas ambos são idênticos.

Vocês conseguem encontrar algo que o PT tenha feito que o PSDB não tenha?

Ações mesmo... coisa concreta. Pode ser economia, social, como quiser. Qualquer coisa.

Só para o ponta pé inicial:

Economia: aqui e sacanagem. Fora a "Carta aos brasileiros", onde diz que não vai mudar nada que foi feito pelo PSDB, o PT escolheu um tucano para ser presidente do BC. O que causou a ira durante muito tempo da ala mais radical do PT. Depois rebatizou o Orçamento da União como o nome de PAC. Juntou alhos e bugalhos (orçamento da União e de empresas privadas) e BUM! Criou uma factóide para o resto do governo.

Social: O Fome Zero, programa do PT foi abortado logo no início do governo Lula. Após seu fracasso o governo rebatizou três programas do PSDB (Bolsa Escola, Auxílio Gás e Cartão Alimentação) como Bolsa Família.
No mais a grande diferença do PSDB para o PT foi o volume de repasses, muito possível por conta da melhora econômica no país.

Até para se desculpar das cagadas que faz o PT diz: "mas porque vocês estão reclamando?? Foi igualzinho ao que o PSDB fez"... videm PNDH...

Outra coisinha: José Serra é vinte milhões de vezes mais esquerda que Lula.

E isso é um liberal falando.

0

Pablo, você considera a política econômica de Lula esquerdista?

0

Grande participação do Estado na Economia, grande influência de empresas estatais como Bancos, altos juros chegando a quase 40% do PIB sendo carga tributária...

No mundo de hoje, sim, podemos considerar isso uma política de esquerda.

0

Pois é, mas a sua descrição não cincide com a política econômica de FHC, exceto no tema juros (na verdade Lula atua com baixos juros) e carga tributária (os dois coincidem). FHC atuou reduzindo a participação do estado na economia e a influência de empresas estatais - privatizou inclusive boa parte delas.

Por isso não dá para dizer que PT e PSDB sejam a mesma coisa. Não são. O PSDB inclina-se ao livre mercado, o PT ao estatismo. São formas diferentes de elaboração política.

0

Lula também privatizou empresas. Essa não é a questão. Privatizar empresas não quer dizer que um governo é pró ao livre mercado.

O PSDB nunca se inclinou ao livre mercado. Só a política de controle do câmbio praticada pelo PSDB (que foi o principal motivo da crise e posterior derrota nas eleições) desmente essa tese.

Posso até concordar que o PT e o PSDB possuem forma diferentes de elaboração política (o PSDB pratica o esquerdismo do empresariado, da FIESP; o PT é o esquerdismo sindical mas com ajudinhas aqui e alí a um grupinho específico tipo mudar leis para beneficiar um determinado grupo econômico).

Mas achar que eles são coisas diferentes já é outra coisa.

Ou achar que o PT é de esquerda e o PSDB não é também.

0

Esquerdismo do empresariado? Da Fiesp? Essa foi boa...

0

É sim Paulo. São aqueles empresários que adoram falar em livre mercado, mas adoram uma boquinha do governo. Se esbaldam em negociatas, contratos. Nunca abrem a boca para falar sobre redução de impostos sobre o consumo, mas quando o governo diminui alguma alíquota de importação dizem que é um mal para o país...

Está cheio desses esquerdistas na FIESP. Que adoram um "livre mercado" contanto que o mercado só existam seus produtos.

0

De acordo, existem estes empresários. Mas eles não são "esquerdistas". São típicos capitalistas brasileiros, que dependem do estado desde os tempos do Império.

0

Um bom exemplo: a turma do setor alcooleiro...

Com o governo (qualquer um) à disposição para mudar a mistura álcool-gasolina, fica fácil...

0

E vamos continuar a discussão lá embaixo, OK?

Estou me sentindo como um verdadeiro Marco Maciel...

0

hehehehe

0

Exatamente. A seguir o raciocínio de que todo empresário dependente do estado é "esquerdista", os senhores de engenho escravocratas eram uns radicais.

0

Aí está o primeiro argumento de todo liberal: nunca houve governo liberal no Brasil.

Esse é o programa da esquerda brasileira. Tanto do PT quanto do PSDB. Foi por isso que um lulista em uma lista de debates do Yahoogrous afirmou isso falando sobre liberdade empesarial: "não tenho problema nenhum com apoio à iniciativa privada e a liberdade econômica para que ela se desenvolva; não tenho nenhum tipo de preconceito, à lógica privada. Acredito que ela tenha papel fundamental. Não é a toa que o ministro da Fazenda desse governo Lula foi escolhido como o melhor do período pós-ditadura por uma entidade de empresários."

E acredite quando falo que acho, sinceramente, que esse rapaz recebe ordens para encher a lista com propaganda petista.

0

Bom tema. A notícia na Agência Estado:

Vitória de candidato da oposição não deve provocar grandes mudanças no cenário chileno

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A vitória do candidato de oposição no Chile, Miguel Sebastián Piñeira, sobre o candidato governista, Eduardo Frei Ruiz, não deve provocar grandes mudanças no cenário chileno, de acordo com o professor da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Eduardo Vidigal.

A disputa foi a mais apertada das duas últimas décadas no país – Piñeira obteve 51,8% dos votos contra 48,1% de Frei. Para o professor, o fato de a atual presidente do Chile, Michele Bachelet, não ter conseguido transferir os mais de 80% de popularidade a Frei se deve à má escolha do candidato, que já tinha uma imagem desgastada.

“O Chile tem uma extensão internacional muito particular e as mudanças serão poucas. Continuará com uma política econômica essencialmente liberal e um diálogo fluido com os vizinhos da região, porém, com alguma distância”, disse, ao comentar o cenário sul-americano em entrevista hoje (18) à TV Brasil. Além disso, a relação amistosa entre a presidente Bachelet e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com o professor, deve ser mantida.

Vidigal explicou que a direita que vai assumir a presidência do Chile não é a mesma comandada pelo ex-presidente Augusto Pinochet (1973-1990). Segundo ele, o partido já se converteu para o centro e provavelmente irá manter as principais políticas desenvolvidas pela coligação Concertación (de centro-esquerda) nos últimos 20 anos.

Ele descartou a possibilidade de o Chile ingressar no Mercosul após as eleições deste ano. Atualmente, o país aparece como associado ao bloco, mas não como membro. “A mudança de governo não interfere”, afirmou, destacando que o governo chileno adota tarifas de importação muito baixas para os países do Mercosul.

Ao avaliar a possibilidade de um governo de coalisão no Chile, Vidigal não acredita que Frei possa fazer parte do governo de Piñera, mas considera provável que outros membros da Concertación tenham participação. “A proximidade dos dois candidatos é muito grande, os pais eram amigos”, disse.

0

Outro ponto interessante:

Michelle Bachelet com 80% de aprovação não conseguiu passar todo seu eleitorado para o candidato do seu partido.

Um alerta para o Lula.

É uma questão importante. Mesmo que a oposição esteja fraca, sem discurso além de alguns que considero mais histéricos que produtivos, com Sérgio Guerra (presidente do PSDB) danto tiro no pé ao falar em economia etc.

0

Exatamente, é um alerta importante

0

Pode ser, até porque tirando os 80% do Lula o PT também não tem discurso nenhum...

Mas não dá para comparar o Chile ao Brasil.

0

Para continuar a discussão:

Vilarnovo em 18/01/2010 - 15:08
É sim Paulo. São aqueles empresários que adoram falar em livre mercado, mas adoram uma boquinha do governo. Se esbaldam em negociatas, contratos. Nunca abrem a boca para falar sobre redução de impostos sobre o consumo, mas quando o governo diminui alguma alíquota de importação dizem que é um mal para o país...
Está cheio desses esquerdistas na FIESP. Que adoram um "livre mercado" contanto que o mercado só existam seus produtos.

Paulo Belushi em 18/01/2010 - 15:15
De acordo, existem estes empresários. Mas eles não são "esquerdistas". São típicos capitalistas brasileiros, que dependem do estado desde os tempos do Império.

Luiz em 18/01/2010 - 15:19
Um bom exemplo: a turma do setor alcooleiro...
Com o governo (qualquer um) à disposição para mudar a mistura álcool-gasolina, fica fácil...

Paulo Belushi em 18/01/2010 - 15:21
Exatamente. A seguir o raciocínio de que todo empresário dependente do estado é "esquerdista", os senhores de engenho escravocratas eram uns radicais.

Vilarnovo em 18/01/2010 - 15:26
Aí está o primeiro argumento de todo liberal: nunca houve governo liberal no Brasil.
Esse é o programa da esquerda brasileira. Tanto do PT quanto do PSDB. Foi por isso que um lulista em uma lista de debates do Yahoogrous afirmou isso falando sobre liberdade empesarial: "não tenho problema nenhum com apoio à iniciativa privada e a liberdade econômica para que ela se desenvolva; não tenho nenhum tipo de preconceito, à lógica privada. Acredito que ela tenha papel fundamental. Não é a toa que o ministro da Fazenda desse governo Lula foi escolhido como o melhor do período pós-ditadura por uma entidade de empresários."
E acredite quando falo que acho, sinceramente, que esse rapaz recebe ordens para encher a lista com propaganda petista.

0

Luiz em 18/01/2010 - 15:19
Um bom exemplo: a turma do setor alcooleiro...
Com o governo (qualquer um) à disposição para mudar a mistura álcool-gasolina, fica fácil...

Paulo Belushi em 18/01/2010 - 15:21
Exatamente. A seguir o raciocínio de que todo empresário dependente do estado é "esquerdista", os senhores de engenho escravocratas eram uns radicais.

===================
Mas o ponto é exatamente esse. É exatamente a isso que estou me referindo. Como os governos de esquerda praticam essa metodologia (de controle de mercado)acabam por atrair esse empresariado. Não é que esses caras sejam de esquerda, mas eles se aproveitam dessa prática da esquerda.

Foi por iso que nenhum liberal apoiou o bail out de Obama para as empresas com problemas nos EUA. E é por isso que George Soros agora escreve diversos artigos dizendo que é preciso um maior controle do Estado na economia. Isso para que quando eles fizerem caquinha o Estado estar lá para socorrer suas ricas contas bancárias.

Sobre o álcool. Ainda não tive chance de verificar, mas quero ver o preço do açúcar e do álcool no mercado internacional. Essa atual atitude do governo Lula em diminuir a quantidade do álcool na gasolina só faz sentido ou porque o governo quer inflar o lucro da Petrobrás ou se os usineiros pressionaram pois o preço do açúcar subiu no mercado.

De qualquer forma é um belo exemplo de como empresários se aproximam de um governo de esquerda.

0

Tudo bem, Pablo, mas aí a dizer que sejam esquerdistas... O modelo de capitalismo dependente do estado foi desenhado não nos sindicatos da Primeira Internacional, mas nas cortes de Paris, Viena, Nápolis, Madrid e Lisboa. É o bom e velho mercantilismo, denunciado por Adam Smith. Um capitalismo de perucas e polainas, e dançando valsa vienense.

0

Concordo em gênero número e grau. Apenas estou dizendo que é a esquerda de hoje. A esquerda de hoje, principalmente no Brasil e na América Latina pratica esse tipo de capitalismo mercantilista ao qual você se referiu.

Foram os mesmos empresarios que adoravam a reserva de mercado dos militares e que adoram quando Lula muda uma lei para criar uma "empresa brasileira para competir internacionalmente".

Por isso não dá para afirmar que o PSDB é muito diferente do PT. Ambos praticam essa mesmíssma política.

0

Por isso não podemos afirmar que estatismo = esquerdismo

E concentrando-se apenas nos oito anos de FHC, não dá para acusá-lo de estatismo. Veja só:

* De acordo com a Cepal, o grau de abertura econômica do Brasil avançou de 17,4 em 1994 para 26,7 em 2002. De 2002 a 2008 a variação foi bem menor, de 26,7 para 29,5

* De 1996 a 2002 entraram US$ 30 bilhões em privatizações no Brasil, de acordo com o Banco Central. De 2003 a 2010 entraram US$ 483 milhões

* No melhor ano do governo FHC (2002), o BNDES desembolsou R$ 37,4 bilhões. Em 2008, o desembolso atingiu R$ 90,8 bilhões.

Ou seja, os dados apontam diferentes níveis de intervenção estatal no mercado.

0

Discordo: estatismo é sinônimo de esquerdismo, faz parte da filosofia socialista ora bolas... Não é a toa que o PT de hoje anda de mãos dadas a um dos artífices dos militares, Delfin Neto.

Há infinitamente mais similiaridades no programa econômico (e de certa forma social) dos militares com o PT do que do PT com uma ditadura de direita como a de Singapura.

Se um representante da ditadura de direita de Singapura conhecer o programa de governo dos milicos no Brasil irão achar que se tratam de stalinistas. Mas aqui no Brasil são chamados de direita. Curioso isso não é?

Só que aí voltamos ao ponto em que eu difiro o PSDB do PT. Ambos são de esquerda, mas o PSDB é da esquerda da FIESP e o PT da esquerda Sindical.

Alberto Vargas Llosa muito bem caracterizou a esquerda de hoje na América Latina:

a) Corporativista: as leis não tratam de indivíduos, mas de grupos, determinados pela sua função no processo economico;

b) Mercantilismo Estatal:o Estado não é uma entidade neutra que existe para a conveniência dos governados, mas um ente onipotente que exige da sociedade que ela trabalhe para mantê-lo;

c) Privilégio: única forma de ascenção social e enriquecimento é a obtenção de favores e benefícios especiais do Estado, normalmente concedidos a corporações específicas;

d) Transferência de Renda: o Estado atua como redistribuidor compulsório de renda, tirando de certas corporações para dar a outras que momentaneamente estejam em suas graças;

e) Lei Política: a lei existe de acordo com a conveniência dos governantes, e não como princípios gerais válidos para todos; a prática de legislar em causa própria não é a exceção, mas a regra.

Desses as características mais presentes no Brasil são o Privilégio e a Lei Política. E isso encontramos tanto no PT quanto no PSDB.

0

Essa lista do Alberto Vargas Llosa é uma tremenda forçassão de barra. Um delírio. Vários dos seus pontos - privilégio, mercantilismo estatal e lei política - não dizem respeito à esquerda, mas uma visão totalitária ou dependente do estado, muitas vezes de direita. E tenta transformar algo positivo - a transferência de renda - em negativo.

O que define uma política de esquerda é a intervenção estatal na economia e a atuação na redução das desigualdades sociais. Uma política de direita defende a livre atuação do mercado e o equilíbrio social por meio dos mecanismos de mercado. Nestes dois modelos, a corrupção e o abuso de poder são transversais. Querer dizer que sejam exclusivos da esquerda é má fé.

0

Redução de desigualdades sociais não é exclusividade da esquerda.

Transversais??? hahahahahahahah

Até tú Brutus????

Transversal virou a palavra da moda agora para a esquerda... rs

Mas Paulo novamente: não disse que é exclusividade da esquerda ou qualquer coisa desse tipo. Afirmo que é característica da esquerda que está hoje no poder no Brasil e em boa parte da América Latina.

Me fiz claro?

Eu sou um dos que acredita que o melhor cenário para o desenvolvimento de uma nação seja a alternância no poder entre uma esquerda e uma direita liberal.

Tipo Inglaterra.

0

"O PSDB nunca se inclinou ao livre mercado. Só a política de controle do câmbio praticada pelo PSDB (que foi o principal motivo da crise e posterior derrota nas eleições) desmente essa tese."

q isso vilarnovo, viajou de ácido...

vc não lembra mesmo quem tornou o cambio flutuante e qd isso foi feito?

"na verdade Lula atua com baixos juros) e carga tributária (os dois coincidem). FHC atuou reduzindo a participação do estado na economia"

opa, q verdade é essa? meu chapa, o moluscao escolhe ter juros altissimos em um momento em q o mundo inteiro se utiliza de todo o impacto da politica monetaria para reativar a economia. e pq ele faz essa escolha? por populismo fiscal.

e qt a participaçao do estado, salvo engano, durante o principado de seu antecessor o estado passou a abocanhar uns 32% do q era produzido ante 26% da época do mineirin...aumento de carga tributaria, goste-se ou nao, = a aumento da participaçao do estado na economia, o q é, naturalmente, diferente da produçao do estado.

continua ai, mas respeite-se os fatos...

;^/

0

O PSDB tornou o câmbio flutuante quando o câmbio fixo, medida extremamente populista, se tornou insustentável.

E francamente, câmbio flutuante não é medida de esquerda nem de direita. É apenas uma medida inteligente. Só isso.

0

vamos la, sem distorcer...

se falou em politicas de livre mercado, será que alguem tem dúvidas quanto a adoção de cambio flutuante ir nesse sentido?

e sendo o segundo mandato tucano todo ele sob esse regime cambial...

direita e esquerda, citei eu algo?

será q na china nego é burro? melhor nao ir por ai...

fatos senhores, atenham-se a eles...

;^/

0

Iconoclasta. Não. Flutuação no câmbio é apenas inteligência econômica. Não tem nada a ver com esquerda ou direita ou livre mercado.

É por isso que o Brasil hoje é o 105º na lista de Liberdade Econômica enquanto o Chile (só para ficar em um país da América Latina) está no 11º lugar.

Existem dezenas de outras medidas que se traduzem em uma guinada ao livre mercado. Câmbio flutuante pode ser uma delas mas se caracteriza muito mais como uma medida inteligente macroeconomicamente para o Brasil do que qualquer coisa.

0

"Dezenas de outras medidas"

Cite as que você considera principais. Pode ficar em 5 ou 10.

0

"Câmbio flutuante pode ser uma delas"

ok, já é uma evolução...

o resto é teimosia...

de novo, falei eu em direita e esquerda?

;^/

0

Podemos utilizar a mesma metodologia definida pelo Heritage Foudation que faz o ranking de liberdade econômica para te responder:

Liberdade de Negócios: abilitade para abrir, operar e encerrar um negócio que representa o peso da regulação e a eficiência do governo no processo regulatório. É medido em:

Quantidade de procedimentos necessários para se abrir um negócios;
Quantidade de dias necessários para se abrir um negócio;
Custo para se abrir um negócio (% sobre a renda per capta);
Capital mínimo para se abrir um negócio (% sobre renda per capta);
Quantidade de procedimentos necessários para obter uma licença;
Quantidade de dias necessários para obter uma licença;
Cutso para obter licença;
Quantidade de dias para se fechar um negócio.

Liberdade de Comércio: ausência de tarifar ou barreiras não tarifárias que afetam importação e exportação de produtos e serviços.

Liberdade Fiscal: O peso dos impostos.

Tamanho do Governo: Em relação ao PIB.

Tem vários outros.

Recomendo ler a explicação completa. É bem detalhada.

http://www.heritage.org/Index/pdf/Index09_Methodology.pdf

0

Finalmente algo que separo para ler...

É a tal diferença entre entrar na histeria e parar para pensar.

0

O índice da Heritage Foundation é bastante interessante. E ajuda um pouco a confundir ainda mais esses conceitos de direita e esquerda que estamos discutindo. O "país" com maior liberdade econômica é Hong Kong, que foi incorporada à República Popular da China. Claro que existem regras econômicas diferenciadas, uma vez que a China como um todo está na 132ª posição. Mas na China há diferenças de regras entre as ZEE e o resto do país. E Hong Kong, depois da incorporação, adotou as regras das ZEE. Ou seja, podemos afirmar que o regime de maior liberdade econômica do mundo é uma criação comunista.

Irônico, não?

P.S.: Cadê o Vaticano nesta lista?

0

Quais são os conceitos dessa tal de Heritage Fondaution?

O artigo anterior é bem claro, entre outras coisas, quas as dificuldades para você montar um negócio. O que cofesso, cá dentro da minha insignificância, é um absurdo inimaginável.

Os impostos? Bem, aqui é outra questão, essa depende da sua preferência política e abordagem que você quer para a sociedade que você compartilha, o que não é um senso comum, mas um direito de todos, das opiniões divergentes.

Voltando ao ponto que me interessa: tente abrir um negócio no Brasil e perceba quanto o Estado mais atrapalha que ajuda. E aí você passa a questionar o Estado com mais lucidez, acredito eu. Sem que você questione a crença (estado forte - educação, saúde e segurança, ou estado fraco - tudo na mão do empresário).

Este me parece um bom ponto.

E aqui, sinto informar que o Brasil está mais atrasado que relógio quebrado. Faz um tempo. Uma burocracia que faz pensar se vale a pena o Estado forte com este viés.

0

Pax - Acho que o problema é exatamente esse. Existe, realmente na cabeça das pessoas (e não é a dos liberais) essa diferenciação entre Estado Forte x Estado Fraco.

Um Estado Fraco não quer dizer que tudo está nas mãos do empresariado.

Por exemplo eu coloco o Estado brasileiro como fraco, mesmo com o tamanho que ele tem hoje, pois ele não consegue miseravelmente cumprir com suas obrigações constitucionais de saúde, educação e segurança. Mas adora ser gestor de posto de gasolina, empresa de geração de energia e até bem pouco tempo de telefonia (e está querendo voltar com a Telebrás!!!).

Ao mesmo momento que você tem por exemplo uma Inglaterra que possui um Estado Forte, e até mesmo para quem gosta uma saúde socializada, e mesmo assim é um dos paises mais liberais economicamente do mundo, ao ponto de empresas francesas estarem se mudando para o outro lado do canal por conta dos custos e do tamanho do Estado francês.

O real problema desse país é que é um país fundado, gerido, comandado por funcionários públicos.

Pedro Álvares Cabral se pensarmos bem era um funcionário público da corte portuguesa. Quando essa mesma corte veio para o Brasil colocou os condes, marqueses, duques em posições no funcionalismo público e assim estamos até hoje.

A indústria do cartório no Brasil é única no mundo.

E quanto mais burocracia mais corrupção.

0

aproveitando um tempinho livre mais longo, vamo lá:

esse negocio de nego distorcer o que foi escrito, contestar palavras e termos que não foram usados é um saco, papo de quem não quer q o debate se desenvolva.

tem alguma citação sobre direita e ou esquerda no meu comentário?

perguntei e não obtive resposta, mas vc, pablo, insiste em se referir a isto.

o pior é q isso é recorrente, só mudam os personagens.

agora, ao principal:

adotar um regime de cambio flutuante é inequivocamente uma medida de acordo com livre mercado. agora, outra coisa totalmente diferente, e que eu nem tangenciei, é afirmar q isso é atitude de governos liberais (neoliberais, libertarios, ... vcs nomeiem), o q, definitivamente nao era e nem é o caso.
o brasil é um país não apenas de reduzida liberdade economica, mas tb, não por acaso, com pouquissima participação do setor externo na economia, portanto muito fechado. no entanto, é evidente que avançou economicamente nas ultimas duas decadas com medidas de maior liberdade nos negócios, sejam financeiros ou comerciais. tb nao se pode negar q alguns dos atos do governo atual vão em sentido contrário a isso quando aumentam os orçamentos de estatais e a participação das mesmas em empresas privadas.
e para nao perder o bonde, o q dizer da afirmação q o serra perdeu a eleição de 2002 por causa do cambio da epoca do gustavo franco? ta de sacanagem, parece o papo do molusco com a eterna herança maldita...

;^/

0

Iconoclasta, o problema é que esta discussão fala em guinada à direita. E aí fica toda essa discussão para definir o que é direita e esquerda, com muito viés ideológico atravessando as análises.

0

E eu que achava que racha era um privilégio da esquerda...

0

Eu achava que racha era privilégio de trotskista.

0

Hehehehe

Que nada... tem que ver os arranca-rabo lá na Rede Liberal...

0

O que eu quiz dizer que apenas câmbio flutuante não define um país como sendo de livre mercado. Apenas isso. Por isso um país, como você bem escreveu, é capaz de ter livre câmbio sem ter livre mercado.

Sim, acho sim. O Gustavo Franco demorou demasiadamente para liberar o câmbio. O próprio FHC em entrevista que pode ser vista em http://ultimosegundo.ig.com.br/ricardo_kotscho/2008/05/18/exclusivo_fhc_...

"IG: E do que o senhor se arrepende?

FHC: Eu me arrependo de várias coisas. Eu acho que mandei reformas demais para o Congresso de uma vez só. A sociedade muda mais devagar do que eu gostaria. Comprei briga com todo mundo. Nós forçamos demais a marcha das reformas. EU TAMBÉM PODERIA TER TENTADO A MUDANÇA NO SISTEMA DE CÂMBIO ANTES, QUANDO EU DEIXEI PARA FAZER ISSO NO COMEÇO DO SEGUNDO MANDATO..."

Desculpe mas ninguém acredita nisso. Quando Gustavo Franco saiu o câmbio valia R$ 1,20. Depois assumiu Francisco Lopes e em 20 dias o câmbio desvalorizou 65% com sua "banda diagonal endógena". Saiu Francisco Lopes e assumiu Armino Fraga e finalmente o câmbio flutuante. Sim, é certo que quando o Lula assumiu o câmbio já flutuava, mas foi a demora em fazer isso, a vontade talvez de agradar a classe média e TALVEZ visando as eleições que FHC segurou a desvalorização necessária do câmbio no Brasil.

A história é muito bem contada pelo José Paulo Kupfer. E é uma das poucas vezes que eu concordo com ele.

http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/2008/05/19/cambio-flutuante-fhc-nao...

0

vc pede desculpa ao principe por nao acreditar nele, né? pq para mim é q nao pode ser, ja q eu nao tenho nda com isso.

o fato do movimento de mercado ter tornado o sistema fixo, ou de bandas, insustentável não significa q a única alternativa era deixá-lo flutuar. exemplos podem ser encontrados em países asiáticos (Tailandia?) q sofreram fuga de grana 1 ou 2 anos antes, salvo engano. a Argentina na época tb manteve o currency board.

a flutuação era a melhor opção? entendo q sim, o mercado tb, nao por acaso os preços das ações q patinavam acabaram por se valorizar mesmo em dólar, e oportunidades nao faltaram para o pais se recuperar, como ocorreu até certo ponto com México, asiáticos e Rússia. com estouro de bolha da Nasdaq e td o país ia muito bem na virada de 2000 para 2001 até q... "descobriu-se" q o setor elétrico estava abandonado... nego gosta de falar em falta de chuva e tal, mas essa caca tv contratada ha muito. portanto falar em cambio do primeiro mandato para justificar o fracasso eleitoral é forçar muito a barra.

o Paulo, eu tenho muita dificuldade de dterminar o q é direita e o q é esquerda, por isso, apesar de zoar a galera q se poe como esquerda eu nao identifico o q considero um e outro.

;^/

0

Bom, confesso que em relação à Tailândia não poderei falar nada, mas em relação à Argentina o resultado de segurar o câmbio foi o default.

Mas continuo discordando. Segurar o câmbio fez com que o Brasil queimasse o pouco da reserva financeira que tinha o que culminou na outra solicitação de dinheiro ao FMI.

Isso foi um prato cheio na campanha eleitoral.

Lembra: "O FHC quebrou o país". Falam isso até hoje.

0

Não quebrou?

0

Não, não quebrou. FHC deixou para o Lula um país em uma situação infinitamente melhor que recebeu de Itamar / Collor. Pelo menos para mim não há a menor dúvida disso.

Prova disso foi que escolheram um tucano para o BC....

0

Entregou um país institucionalmente melhor. Mas quebrou em 1999, teve racionamento em 2001 e quebrou de novo em 2002.

0

Eu pessoalmente não acho que o Brasil tenha quebrado em 1999. A Argentina quebrou, pediu moratória, não pagou suas dívidas. ISSO é quebrar um país.

0

foi mesmo na Tailandia em 97, controle de capital, caca monstra. tem nego de primeira categoria q ainda acha isso viavel. eu, q nem de primeira sou, prefiro mais liberdade.

do q mesmo vc discorda?

ah, dizem mesmo q o FH quebrou o pais 3 vzs. a primeira foi exatamente essa ai ,as vesperas da mudança do regime cambial. depois em 2001 e em 2002 as vesperas da eleiçao, naquele episodio q o principe convocou os candidatos ao seu posto a se comprometerem com o FMI. opa, mas as ultimas foram no segundo mandato, qd o regime de cambio era...?!?!

fatos, ...ja sabe ne...

;^/

0

Ico - O câmbio flutuante foi adotado em 1999. As eleições em 2002. As taxas de juros dispararam para 45%. Você realmente acredita que isso não teve influência política? Não influenciou a eleição?

0

eu nao entendi muito bem a pergunta. mas se eu acho q o caos causado por causa da insistencia no cambio fixo influenciou na campanha e no resultado das eleiçoes? claro q eu acho, como as privatizaçoes, a LRF, o apagão, o proer, os juros, a inflação (uau...), a reeleiçao ( o q mais?), ah, a marcação a mercado... td q fosse ruim, e até mesmo o q era bom, poderia ser, e foi, usado contra um partido q dirigia o pais e apresentava indices de crescimento economico mediocre, principalmente naquele período próximo, inclusive 2002, q antecedeu o pleito.

;^/

0

agora, juros acima de 40% ano foi no primeiro trim de 1999, daí para fente foi cadente até... o 2o trim 2001! dai para frente foi chuva de jaca, até encerrar 2002 acima dos 20...

se tiver duvida eu te mando a planilha.

aquele,

;^/

0

Já concordamos então.

0

O Pandorama agora é em numeração binária...

0

O Chile tem muia coisa para transformar e que nem esquerda nem direita fizeram ou pretendem por puro medo ou conveniencia.
A previdencia social chilena mudada por Pinochet é um desastre camaleonico(houve mil tentativas de reforma-la mas todas deram em erros e mais erros.
O Chile é o segundo pior país em indices de distribuição de renda na America Latina, o pior é o Brasil!
Sua economia é altamente baseada na exportação de comodities!(Cobre).
Dez por cento desse dinheiro vai direto para as forças armadas, o que faz com que eles concentrem renda e gastos incompativeis com um pequeno país!
As leis que restringem manifestações de trabalhadores e o direito sindicalista ou os basicos direitos do homem são velharias que mesmo a concertacio não quis mudar.
O Chile ganhou fama de país bem administrado junto com o mundo mágico de Menen na Argentina, só que o castelo de areia de Menen ruiu e o do Chile é baseado num rigido sistema financeiro que ao concentrar renda e descisão impede muitas coisas no país, entre elas que se veja a verdadeira casa da economia chilena.
A educação é outro problema por que é muito boa no básico como por mais de 80 anos, mas é só.....universidade para poucos e bem de vida!
Então o Chile não é só maravilhas.
Cuidado!

0

Não sei de onde tirou que a previdência chilena é um desastre. Tanto não é que não foi nem mesmo assunto na campanha eleitoral. Tem problemas? Tem sim, principalmente referente aos custos de administração cobrado pelas empresas e por conta da transição entre as pessoas que não contribuiram para o mínimo.

Agora é infinitamente melhor e mais justa que a previdência estilo Pirâmide Ponzi que temos no Brasil inclusive sendo estudada até mesmo pelos EUA.

Concordo quando vc fala que o Chile não é só maravilhas, mas comparado a vários outros países mesmo ao Brasil conseguir grandes avanços.

0
0

Xiii, a atuação do Piñera logo após eleito me faz lembrar aventureiros como Menem, Collor e Abdalá Bucaran. Mau sinal.

Comentar

Comentário
  • Tags HTML permitidas: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <br> <p>
  • Youtube and google video links are automatically converted into embedded videos.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.