Edison Lobão e Thomas Edison simbolizam os países em que nasceram e construíram suas biografias. Edison Lobão inventando a lâmpada elétrica é tão improvável quanto Thomas Edison culpando Zeus, o deus do trovão, pelo colapso do sistema que apagou as luzes de 80% do PIB e 60 milhões de brasileiros durante sete horas na última terça. No último filme "Duro de Matar", hackers planejavam apagar o país de Thomas Edison pela internet. Na chanchada bananeira "Duro de Engolir", que entrou em cartaz nesta terça, o país de Edison Lobão teria sido apagado por três raios que teimaram em cair no mesmo lugar, versão descartada por todos os meteorologistas, causando um estrago apenas comparável a três mandatos de Lula no mesmo país. É difícil decidir qual dos dois roteiros é mais inverossímil. Os bobos da corte se apressaram em grasnar, aos gritinhos, "ô gente mal educada, estão chamando o apagão de apagão!" enquanto o Brasil era obrigado a engolir a tese estapafúrdia eridícula de que existe um interruptor do país em Itaberá, pronto para desligar a chave geral da nona economia do planeta. Depois de muitas trapalhadas e declarações desencontradas, até o microcéfalo ministro da justiça, como um dedicado comissário bolchevique, tentou riscar um fósforo e não deixar que a opinião pública sentisse o mau cheiro que saía das versões governistas e dos seus jornalistas e blogueiros de serviços, mandando a verdade para o raio que os parta. Edison Lobão é umbilicalmente ligado à José Sarney. Assim como ele, Lobão foi presidente do senado. Sarney sucedeu Renan Calheiros, Lobão sucedeu Jáder Barbalho. Só o fato de colocar esses nomes numa mesma frase é motivo de constrangimento, mas hoje eles são a parte mais representativa daquilo que se chama "base aliada" do governo. Sarney é o ex-presidente que, após desmoralizar e desorganizar o Brasil durante a "década perdida", nos legou a moratória da dívida externa, a reserva de informática, a escassez de produtos nas prateleiras, o boi sumido no pasto e a maior hiperinflação da história, deixando uma terra arrasada que acabou sendo assumida por outro companheiro atual, Fernando Collor. Hoje Sarney só se segura na presidência do Senado porque foi blindado pela tropa de choque de Lula e é preciso ser muito trouxa, desavisado ou inocente para creditar sua permanência a uma opção pela "governabilidade", eufemismo preferido pelos que não aceitam uma oposição real e preferem um legislativo no cabresto, agindo como uma mera formalidade para se dar um verniz democrático a um hiperpresidencialismo coronelista, messiânico e bufão. Quando se dizia que o governo Lula precisava de um choque de gestão, Dilma Roussef, ministra das Minas e Energia, assumiu a Casa Civil, o ministério mais político do governo, mas o que viu foi um choque de bravatas. No discurso em que Edison Lobão tomou posse do ministério, declarou, num dia chuvoso em Brasília, que poderia chover à vontade: "não haverá mais apagão". Há duas semanas, Dilma repetiu a frase. Num país sério, com imprensa livre e oposição de verdade, eles teriam que se explicar. Os mesmos burocratas do setor elétricos planejam agora mudar todas as tomadas do país para um novo "padrão", criando uma das jabuticabas mais caras da história. Thomas Edison criou a lâmpada elétrica, mas é provável que alguém ligado a Edison Lobão já esteja criando uma fábrica para fornecer as novas tomadas. A lâmpada de Thomas Edison tirou o mundo da Era do Vapor. As tomadas de Edion Lobão e os raios de Dilma nos manterão nas trevas.