A crise do Senado acaba esta semana

Ninguém mais interessado no início oficial da inatividade de deputados e especialmente dos 81 senadores do que o presidente, que alimenta esperança de ajudar a abafar a crise, movendo todos os trunfos para garantir o controle do Conselho de Ética e da presidência da CPI da Petrobrás, cuja instalação não pode ser adiada indefinidamente. O escândalo do Senado estertora, moribundo e desmoralizado, com falecimento com data marcada para sexta-feira, dia 16, em sessão tumultuada, com o tempero da ansiedade pelo fim do espetáculo e o recesso parlamentar que deve emendar com a campanha eleitoral já na rua, mandando às favas o prazo constitucional mais furado do que peneira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-candidata Dilma Rousseff. Se o tempo é escasso para o governo, conta-se por horas e minutos da oposição. No Conselho de Ética, os líderes do PSDB e do DEM, senadores Virgilio Távora e José Agripino Maia, esperam iniciar investigações sobre as denúncias envolvendo a Petrobrás e as fundações com parentes e empresas ligadas ao presidente José Sarney. A estratégia oposicionista aposta as suas poucas fichas na escolha de presidentes e relatores das duas CPIs que não sejam submissos ao Planalto. Entre os nomes especulados estão o do senador Fernando Collor (PTB-AL) e o petista João Pedro (AM). O líder do PMDB, Gim Argello (DF) poda as esperanças da oposição lembrando o óbvio: “PMDB e PT são como irmãos. A relatoria da CPI da Petrobrás está praticamente garantida para o Romero Jucà (PMDB-RR), a presidência deve caber ao PT”. Combinada a partilha, resta aprovação de Lula, virtualmente garantida. Mas, a oposição ainda sonha com um sururu na base governista, que desemboque num acordo de cavalheiros da eleição de um presidente com fumaças de independência que aprofunde as investigações sobre as denúncias envolvendo o presidente José Sarney. O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RG) abre o jogo: a base não terá um só candidato e se houver disputa nós poderemos apoiar um candidato que não seja da linha mais escrachada do governo.” Antes de fechar a cortina, governo e oposição vão movimentar o Senado com intensas articulações e manobras para limpar a pauta para um recesso tranqüilo, voltado para os encontros com as bases eleitorais. E se a oposição joga todos os trunfos para tentar provar o envolvimento do presidente Sarney nas denúncias que se arrastam na burocracia, o governo não parece assustado. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio dá o recado do governo: “Sobre Sarney estamos solidários. Há uma ação política por trás das denúncias da oposição e precisamos pensar no país”. Para o país, o recesso parlamentar é como a benção de um intervalo do espetáculo dos escândalos e da roubalheira do presidente Sarney nas denúncias que se arrastam na burocracia, o governo não parece assustado. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio dá o recado do governo: “Sobre Sarney estamos solidários. Há uma ação política por trás das denúncias da oposição e precisamos pensar no país”. Para o país, o recesso parlamentar é como a benção de um intervalo do espetáculo dos escândalos e da roubalheira do dinheiro da Viúva.