Por baixo dos panos

Se a Gazeta do Povo estiver correta, a Assembléia Legislativa do Paraná acabou de conferir uma curiosa nuance ao ditado popular sobre o político que "rouba mas faz":
A Assembleia Legislativa do Paraná omitiu 2.178 atos de janeiro de 2006 até 31 de março de 2009, quando foi publicada a lista de funcionários da Casa. Isso significa uma média de 55 atos secretos por mês – dois a cada dia útil. São atos que nunca foram publicados em nenhum diário oficial numerado ou estão em diários avulsos – aqueles fabricados sem obedecer qualquer ordem numérica e cronológica e que ficam inacessíveis à sociedade.
Os números revelam uma deliberada omissão de decisões por parte da mesa executiva. Se não houvesse documentos em segredo, a direção da Casa deveria ter publicado nesse período 5.494 atos nos diários oficiais. Mas a realidade é outra. A Assembleia divulgou apenas 2.386 atos em diários numerados. Do restante, 2.178 nunca foram publicados e 937 estão nos diários avulsos aos quais a reportagem teve acesso, totalizando 3.108 atos (56,7% do total).
Além do mais, continua a reportagem, "a direção da Casa, de uma só vez, omitiu 216 atos". Dado que evoca outro dito popular: onde há fumaça não há fogo?
É surpreendente tantos "atos" permanecerem "secretos" e só aparecerem com as denúncias jornalísticas. E a Gazeta do Povo já tipificou duas práticas não públicas: os atos secretos e os diários avulsos. Sobre tais diários, a Assembléia primeiramente negou a existência, para depois, sob a voz de Nelson Justus (DEM), declarar que não são necessariamente ilegais e finalmente prometer a "apuração", "doa a quem doer" (sic). Dada a situação e a evolução das respostas, trata-se de uma curiosa noção de publicidade e legalidade.